Extraem-se e aproveitam-se em Portugal Rochas Ornamentais de primeira categoria, notáveis pela sua excelente qualidade e rara beleza e daí pelo seu alto preço, e de segunda categoria, inserindo-se estas na vulgaridade e utilizando-se sem serem objecto de polimento e acarretando portanto baixo custo.

As primeiras visam a produção na pedreira de grandes blocos, geralmente com um volume da ordem de 3 a 8 metros cúbicos (cerca de 9 a 24 toneladas), que vêm a ser aproveitados mediante serragem em engenho de lâminas com segmentos de concreção diamantada, em talha-blocos de fábricas ou mais recentemente com o fio rápido diamantado, sendo as chapas obtidas submetidas a polimento e ao corte em peças - os artefactos como tamanho final. No processamento utilizam-se ainda, modernamente as linhas automáticas computadorizadas de produção em série de peças normalizadas, donde sai o popular mosaico polido.

As segundas, de natureza calcária ou siliciosa, conduzem à produção de peças baratas, sobretudo cubos, calçada diversa e guias de passeio, falcas e marcos de propriedade quilométricas ou hectométricos, envolvendo um processamento rudimentar.

Nesta categoria se insere também a ardósia, extraída, essencialmente nas louseiras de Valongo, nos arredores do Porto, cujos artefactos são fornecidos sem polimento.

A nossa actividade de cadastro e controlo técnico e económico exercida como engenheiro do Serviço de Fomento Mineiro, um departamento da então Direcção – Geral de Geologia e Minas, onde fomos admitidos no dia 16 de Novembro de 1966, tendo o então Director-Geral colocado à nossa disposição a escolha de uma entre três opções: o cargo num Gabinete em Lisboa; um lugar de investigação no Laboratório de S. Mamede de Infesta, nos arredores do Porto; e o trabalho de campo no Alentejo, ficando sediado em Vila Viçosa, com o encargo de investigar “in loco” a Indústria Nacional de Rochas Ornamentais, começando pela Mancha de Calcários cristalinos de Vila Viçosa – Borba – Estremoz e prosseguindo depois gradualmente pelas outras regiões, acabando por percorrer todo o país, tendo nós após madura e sensata reflexão, dado a nossa resposta ao fim de três dias, vindo a recair sobre a terceira proposta, concedeu-nos o privilégio do contacto directo com os graves problemas com os quais então se debatia o nosso Sector Pétreo Decorativo, a começar pela área extractiva.

Quando em 1966 nos foi confiada esta missão o nosso País cometia a extraordinária proeza de produzir anualmente vinte mil toneladas de mármore e de exportar cem mil toneladas!... Tal era o milagre da multiplicação das pedras… O trabalho de compilação de dados económicos sobre a actividade extractiva ornamental feito no gabinete, sem descer ao terreno, sem conhecer “in loco” a realidade, conduziu a este colossal disparate.

Através do cadastro de jazidas geológicas e das respectivas pedreiras que paciente e perseverantemente levámos a bom termo, sob a superior orientação de um sagaz, competente, esforçado e sensato Director de Serviços – o insigne Engenheiro Francisco José Leal Limpo de Faria, a quem nesta ocasião vimos tributar justa embora póstuma homenagem – conseguimos identificar em Portugal as seguintes ocorrências de Rochas Ornamentais de primeira categoria:


A) Mármore e Outros Calcários, figurando em primeiro e grande plano o vasto e rico anticlinório de Vila Viçosa – Borba – Estremoz, fornecedor do mundialmente famoso Rosa Portugal, mas agora de certo uso do preterido pela pedra barata do Maciço Calcário Estremenho, altamente competitiva e muito apreciada pelos Chineses:

Calcário Cristalino – Distritos de Beja (Ficalho – Serpa e Trigaxes) e Evóra (Borba – Estremoz – Vila Viçosa e Viana do Alentejo);

Calcário microcristalino – Distrito de Lisboa (Montemor de Loures e Pêro Pinheiro);

Calcário sedimentar – Distritos de Coimbra (travertino e Condeixa), Faro (Albufeira e Tavira), Leiria (Alcobaça e Porto de Mós) e Santarém (Alcanema, Santarém, Tomar e Vila Nova de Ourém); existem ainda poucas e diminutas explorações activas na formação de “calcário azulado” de Cascais, que todavia não incluiremos nas genuínas rochas ornamentais por apresentar episodicamente, em determinadas zonas, componentes nocivos;

“Brecha” calcária – Distritos de Faro (Olhão, S. Brás de Alportel e Tavira e Setúbal (Serra da Arrábida);


B) Granito e Rochas Similares, com ampla predominância do primeiro:

Granito – Norte do País (Braga, Porto, Viana do Castelo e Vila Real), Centro do País (Aveiro, Guarda e Viseu) e distritos de Évora (Arraiolos, Évora e Reguengos de Monsaraz) e de Portalegre (Arronches, Castelo de Vide, Monforte, Santa Eulália e Alpalhão); Granodiorito (Évora) e Quartzo–diorito (Èvora);

Gnaisse – Distritos de Beja (Alvito) e Portalegre (Alagoa e Chainça, esta em Castelo de Vide);

Pórfiro ácido – Distrito de Setúbal (Alcácer do Sal, com apenas uma unidade rudimentar);

Dirorito – Distrito de Évora (Viana do Alentejo, com uma só dominuta escavação);

Gabro – Distritos de Beja (Odivelas, Ferreira do Alentejo) e Évora (piroxenito do Redondo);

Sienito nefelínico – Distrito de Faro (Monchique, com uma grande unidade activa);

Serpentinito – Distrito de Bragança (Donai, com a tradicional pedreira de fraca projecção extractiva, mas já electrificada).

As pequenas explorações de Alcaines, no distrito de Castelo Branco, limitam-se à extracção de blocos de granito de tamanho médio utilizados na preparação de fogões e de cantarias diversas muito ao gosto das gentes da região.

Com respeito às Rochas Ornamentais de segunda categoria, as louseiras de Valongo, que oportunamente tivemos o ensejo de inspeccionar na sua totalidade por duas vezes em dois anos consecutivos, sendo poucas e estando concentradas uma pequena área, encontram-se bem assinaladas e estudadas.

O mesmo se não pode dizer acerca das explorações consagradas à produção de pedra natural talhada para calcetamento, na sua grande maioria de pequena dimensão, algumas das quais nos foi dado conhecer.

De facto de um modo geral prevalecem as pequenas unidades de cariz artesanal dispersas por todo o País, fornecendo peças de calçada de preferência para a pavimentação de ruas e avenidas a cargo das Câmaras Municipais, e devido essa autêntica pulverização ninguém, a começar pela tutela, sabe quantas são nem qual o volume produzido à escala nacional.

Existem contudo algumas, grandes unidades consequentemente mecanizadas, sobretudo no Norte do País (Marco de Canavezes e Alpendurada, que visitámos uma vez), cuja actividade produtiva se destina prioritária e primacialmente à exportação (vimos no Rio Douro um navio carregado com pedra de calçada), cujos resultados globais são compilados e divulgados anualmente pelo Instituto Nacional de Estatística e que à frente apresentamos.

Uma vez que nunca se fez o cadastro das pequenas unidades espalhadas de Norte a Sul do País, por isso se tornar altamente dispendioso em meios humanos, materiais, sobretudo vencimentos, ajudas de custo, viaturas e combustível, não existem dados estatísticos credíveis sobre a sua actividade produtiva, visando material calcário ou silicioso, utilizando-se o primeiro na pavimentação de passeios.

No campo silicioso encontram-se em grande vantagem os granitos, quer no Norte do País quer no distrito de Portalegre, mas também se faz pedra de calçada como o sienito nefelínico de Monchique, no Algarve, onde predomina a sua utilização.

Neste contexto não se afigura fácil investigar a extracção útil global destes materiais pétreos, nem tão-pouco a produção nacional de pedra de calçada, certamente elevada.

Face a essa impossibilidade, nós limitamo-nos a apresentar uma estimativa de produção global com base nos resultados inseridos pelo economista italiano Carlo Montani no seu reputado estudo “Stone 2006” – World Marketing Handbook.